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21 de Março de 2019

Se você tem ou quer ter tatuagem, não deixe de ler esse artigo!

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 2 anos

Se voc tem ou quer ter tatuagem no deixe de ler esse artigo

Por Diorgeres de Assis Victorio

Esse artigo surgiu em virtude de um passeio que eu estava fazendo na cidade de Taubaté interior de São Paulo, município onde surgiu o PCC. Lá, estava eu dano um “pião” (rolê da cadeia) com um outro agente, quando, de repente, vi um jovem (por volta de uns 25 anos) com uma tatuagem no antebraço.

No ato, comentei com o amigo sobre a tal tattoo e concordamos que talvez ele tenha a achado “bonita” sem saber quais os problemas que teria caso fosse preso algum dia.

Por isso, escolhi esse tema “tatuagens” para tratar nesse artigo. Usarei as imagens das tatuagens e mostrarei seus significados. Algumas tatuagens me fazem recordar de algum acontecimento na prisão e mencionarei aqui. Quero deixar claro que não tenho preconceito de quem tem tatuagens (até porque tenho seis).

Vamos à primeira tatuagem:

Se voc tem ou quer ter tatuagem no deixe de ler esse artigo

Ao verificarmos a tatuagem acima, observamos que ela representa, para quem não conhece o cárcere, uma homenagem a mãe. Mas seria só isso realmente?

Não. Essa tatuagem na cadeia representa aquele que praticou crime (s) sexual (is), o famoso duque 13 (213), menção ao artigo 213 do Código Penal, também conhecido como “Jack”. Na verdade, essa é tal tatuagem que eu vi com um colega em Taubaté. Mas será que ele, quando “a fez”, sabia bem o que ela pode gerar se ele “cair” em cana?

Hoje vivemos em uma situação que a ânsia punitiva é tão grande, gerando o encarceramento em massa e isso não posso me negar a dizer, pois negar o óbvio é sinal de imbecilidade.

Preocupo-me em ser encarcerado, pois dentro do cárcere já constatei pessoa cumprindo pena em regime fechado por não possuir carteira de habilitação. Sei que muitos devem estar se perguntando: "mas como isso se a pena é de detenção, de seis meses a um ano?" Um dia contarei essa história em um artigo.

Mas, voltando à tatuagem, alguém acredita que os presos no cárcere vão acreditar se ele disser que é uma “tatoo” de rua? Lógico que não: vai ser vítima de pederastia na cadeia.

Vai virar “garoto” (homossexual) na cadeia e isso vai ser “na marra”. Já vi casos em que os presos que saiam do Anexo de Taubaté, local de nascimento do PCC, chegavam em mim e me diziam:

“Nossa, mestre que 'garoto' bonito, branquinho, 'zóio' claro! 'Paga' (põe) ele na nossa cela!”

Davam risada logo em seguida.

Outra tatuagem que é conhecida como marca (rotulagem) de homossexual na cadeia é a pinta verde no rosto. Essa tatuagem me faz recordar de uma outra história no cárcere. Lá estava eu trabalhando quando o “gaioleiro” libera um preso abrindo o portão e vem se apresentar a mim. Olhei em seu rosto e vi a tal pinta verde.

Pensei comigo: "mas como que os guardas lá de baixo mandam um preso com uma tatuagem dessa parar aqui?" Perguntei de onde ele estava vindo e ele me informou que do JK de Taubaté (Cadeia Pública). Como eu já sabia que ele ia “pagar” pela tal pinta, perguntei para ele:

“E essa pinta aí?”

Rapidamente me respondeu:

“Sou cigano!”

Expliquei para ele o que significa aquela pinta na cadeia e se ele estava disposto a tentar arrumar um “barraco” (cela). Ele me disse:

“Sem problema”.

Não teve que dar muito “pião na cadeia” (andar). Os presos já foram para cima do mesmo querendo “sumariar” a tal pinta. Passado alguns minutos me disse que precisava sair urgente do Raio II, porque a população carcerária não o tinha aceitado. Pedi para liberá-lo rapidamente, pois temia que “subissem” o gás dele (matassem).

Quis tentar no Raio III e já adiantei a ele que ia acontecer a mesma coisa. E o fato se repetiu. Realmente os ciganos têm por tradição fazer essa pinta no rosto, mas a população carcerária vai acreditar nisso? Impossível!

Existem outras tatuagens de estupradores como a do São Sebastião (que também indica a vontade de sair do cárcere):

Se voc tem ou quer ter tatuagem no deixe de ler esse artigo

Borboletas também têm o mesmo significado:

Se voc tem ou quer ter tatuagem no deixe de ler esse artigo

Dois pontos tatuados na mão indicam o tipo de criminoso. Resumidamente, os pontos na mão têm o seguinte significado:

Se voc tem ou quer ter tatuagem no deixe de ler esse artigo

Quanto aos pontos na mão, me recordo de um preso que tinha feito as marcas referente a ser chefe de quadrilha, mas era na verdade um furtador. Nem preciso dizer o que aconteceu com ele quando os presos descobriram que ele tentou enganar o “crime”, não é?

Nos próximos artigos darei continuidade ao estudo da Criminologia Penitenciária, voltada à análise das “tatuagens de cadeia”.


Fonte: Canal Ciências Criminais

54 Comentários

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Engraçado na minha época, tatuagem era identificação do criminoso. Tal como informam no artigo, identificavam a que facção pertenciam e como foi demonstrado também hierarquia e outras diferenças mais... Hoje em dia se tatuam sem sequer saber que isso já foi de uso exclusivo de presos... continuar lendo

Com todo o respeito, o senhor deveria se informar melhor a respeito do assunto, tatuagem e outros tipos de modificação corporal permeiam a sociedade desde antes mesmo do que entendemos por civilização se estabelecer, estudos indicam que estava presente entre os neandertais e primeiros humanos propriamente ditos (homo sapiens sapiens), fosse como simbolo de poder, força, virilidade ou como forma de comunicação com os deuses, tradição essa que permaneceu por milênios,i.e. entre os dinamarqueses, os orientais, povos indígenas de todo o mundo, inclusive do Brasil, então gostaria de expandir meus horizontes e que o senhor esclareça de que época veio onde tatuagem foi de uso exclusivo de presos, pois em meus estudos nunca encontrei tal "era" continuar lendo

A famosa máfia japonesa, por ex., usa tatuagens. Infelizmente tenho uma filha já casada, que as tem. Quiz pagar para tirar, mas dizem que nem com cirurgia plástica não tira. Não gosto, não tenho e não aprovo; não importa o motivo do uso delas... continuar lendo

No Brasil, desde as décadas de 1950/60/70, as gerações cresceram sabendo informalmente que tatuagem era coisa de marinheiro ou de bandido. E já havia as hierarquias das cadeias, sim.

Pode alguém chamar de preconceito, claro, mas que era assim, era.

E afinal, hoje, se alguém condenar o consumo de drogas e o aborto é tachado de preconceituoso. continuar lendo

Caro Doutor Perciliano, o senhor tem todo o direito de nao gostar e não fazer uma, assim como sua filha já casada tem a liberdade de fazer as próprias escolhas, é verdade que na mafia japonesa, yakuza tatuagens são extremanente comuns, as imagens normalmente sendo dragões e demônios, não é exclusividade da máfia japonesa, a tríade, a máfia russa, gangues neonazistas e etc
Mas existe algumas outras entidades e organizações em que tatuagens são extremamente comuns, um exemplo são as forças armadas, quase todo soldado americano especialmente os de elite possuem tatuagem do regimento, extremamente comum entre os rangers e seals por exemplo, vamos condenar também os soldados que arriscam a vida pela Pátria por ordem de superiores?

Doutor Sérgio, sabe o que também era comum nessa época que o senhor mencionou? Mulheres não podiam votar, adultério ainda era crime, homossexualidade era inaceitável e pessoas durante a ditadura desapareciam por simplesmente expressar suas opiniões, quanto mal as "pessoas de bem" não causaram naquela época? Está o senhor defendendo o retrocesso? Que não devemos lutar contra o preconceito que sabemos existir e simplesmente aceitar e seguir a vida obedecendo? continuar lendo

Prezado Pedro de Paula: as tatoos que você relaciona, são quase todas "corporativas", como sendo, uma forma de identificar o indivíduo com uma determinada agremiação, grupo, seita, comunidade, enfim. Isso realmente é usado através dos séculos. Os legionários romanos já as usavam, era seu "documento" indelével, atestando a subordinação e lealdade à legião a que pertenciam. É a mesma coisa que orgulhosamente Seals e Rangers, entre tantos grupos de elite modernos fazem. Inclusive nas FFAA brasileiras. Geralmente são de tamanho discreto, no braço. É como o militar usar um braçal de sua unidade. Yakuza, Tríade e outras gangues, usam-nas com o mesmo objetivo. identificar o membro do grupo. Geralmente com orgulho. Mas têm também uma finalidade disciplinadora vitalícia. A Yakuza
também corta a primeira falange do dedo mínimo de seus adeptos.
Já nos campos de extermínio nazistas na 2ª Guerra, marcavam os prisioneiros, todos, com seu número de série, para maior controle. Eram afinal propriedade do Estado. Como se faz com gado.

Isso tudo é uma coisa. Já as tatoos que os jovens em geral, aplicam cada vez mais, a partir da década de 1980, é mero modismo, informado pela vaidade, para se destacar e também uma forma de protestar contra as mesmas coisas de sempre, que todas as gerações protestam, achando que são as únicas. Sei bem porque minha geração igualmente fez assim, só que em menor grau e com menos violência que as atuais. Ex. de época foram os hippies, da geração "paz e amor bicho".

Destarte você nota que concordo com sua inicial postagem. Tatuagem é um traço histórico na humanidade. Daí decorre que não questionei sua opinião por mero preconceito e muito menos por defender o que chama de retrocessos. Simplesmente tinha alcançado outro dado histórico. Marinheiros e presos eram os grupos que mais usavam tatuagens, no Brasil e na América naquelas décadas. Isso era um fato.

Então, não precisa levantar os escudos, meu caro e sugiro respeitar opiniões divergentes, como você respeita o voto feminino e os gays. Respeite por ex. que eu não goste de tatoos. E Perciliano também não, como ele postou. E muitos outros. Uma das poucas coisas boas dos novos tempos, penso, é a saudável convivência entre os desiguais. continuar lendo

Então sai do banco academico e vai pras ruas estudar pq desde que me conheço por gente que sempre que viamos um cara tatuado a primeira coisa que vinha a cabeça era mafia japonesa, chinesa ou outra manifestação criminosa..... continuar lendo

Caro doutor Sérgio Abib, concordo plenamente com o que o senhor postou, e veja que logo no inicio da minha própria postagem ressaltei que respeito o direito dos doutores de nao gostarem ou aprovarem, talvez tenha soado um pouco rude e um pouco agressivo em relação à sua postagem pois estava digitando pelo celular e minha resposta saiu mais pobre que o pretendido, o senhor tem completa razão e de fato as pessoas "crescem sabendo" que tatuagem era coisa de bandido e criminoso, o ponto que quis trazer foi que durante esses muitos anos a sociedade evoluiu e diversos preconceitos vem sendo aos poucos vencidos apesar de imensa resistência de certos setores da sociedade, não tenho intenção alguma de convencer qualquer pessoa de que tatuagem é algo bom ou ruim, o senhor tem sua opinião, o seu gosto, e o direito de expressar ambos, meu ponto é que como o senhor mesmo apontou no ultimo comentário o significado mesmo no Brasil de tatuagens tem mudado drasticamente, e cada vez mais pessoas procuram por vaidade, o que defendi é que assim como os outros preconceitos talvez esse seja outro preconceito que deveria desaparecer, afinal o senhor provavelmente concorda que a grande maioria desses jovens que fazem tatuagem é apenas por vaidade, não querem nem mesmo protestar contra coisa alguma ou expressar coisa alguma, é mais um artigo de beleza, creio que o senhor concorde que isso não os torna mais sujeitos à pratica de crimes como muitos insistem em "pregar", novamente não discordo do senhor de que o preconceito existe e todos os dados que o senhor comentou são extremamente pertinentes, peço desculpas se pareci estar levantando escudos pois não foi essa a intenção e uma discussão pacífica e sem preconceitos é sempre algo positivo, e infelizmente a tão boa "saudável convivência entre os desiguais" parece cada vez mais distante

O saúdo pela tentativa de expressar seu comentário de forma didática e educativa e desprovida de preconceitos, vejo que na maior parte compartilhamos a mesma opinião e tal desentendimento se deve apenas ao fato de não ter me expressado corretamente, aliás agradeço por expandir o escopo do meu comentário com ainda mais informações, afinal o preconceito existe e independente de gostar ou não de tatuagens, ou até mesmo para os que gostam é de grande importância conhecer o histórico e as ramificações que isso pode lhes trazer, não só nos temas já abordados, mas o preconceito existe e como o autor do artigo existe negar o óbvio é sinal de imbecilidade, não pretendo cometer esse erro, os problemas com autoridades policiais, membros do crime, presidiários são apenas a ponta do iceberg, não é segredo algum que muitas pessoas tatuadas tem muito mais dificuldade em serem aceitas em alguns empregos devido ao preconceito já presente na nossa sociedade, e como bem colocou o doutor Perciliano nem mesmo cirurgia plastica as remove totalmente, então também advogo o cuidado e que as pessoas pensem bem antes de tomar decisões muitas vezes irreversíveis, espero que um dia o preconceito desapareça, mas respeito profundamente todos os que gostam e todos os que não gostam, desde que não ataquem o outro grupo de forma desrespeitosa o que infelizmente acontece o tempo todo ate mesmo aqui

Espero que dessa vez tenha me expressado um pouco melhor, um grande abraço aos doutores e um obrigado por reservarem alguns minutos do valioso tempo dos senhores pra manter uma discussão decente continuar lendo

Matéria totalmente desnecessária. Faz apologia à identificação correta do crime praticado. Nada soma ao contexto jurídico: continuar lendo

Não vi apologia nenhuma. Só relatos e dados. E todos os operadores do direito deveriam conhecer o assunto. Especialmente os da área criminal, pois é muito útil em análises e decisões inclusive.

Aliás como diz no artigo, todas as pessoas que tenham ou pretendam fazer tatoos, deveriam conhecer as "do crime", para não se afligirem, como em exemplos postados pelo autor.

Artigo útil e oportuno. continuar lendo

Virgílio, o sommelier do artigo alheio. Aguardamos ansiosos pelos seus utilíssimos artigos... continuar lendo

Chocada... continuar lendo

Belo relato.a masmorra qual e os presidios brasileiros.poderia o preso interagir fora da cadeia da mesma forma que criam suas regras
Afinal todos Estao atrás das grades do inferno.
Deveriam pelo menos serem .mais humanos.encaminhei ao ministro da justiça.para analise.sobre a maioriade..antes jovens trabalhavam.ajudava seus pais.e ao acordarem de manha a benca meu pai e mae.ao ver um idoso.pedia a bencao..eramos e tinhamos seres humanos abencoados.hoje a mesma lei .tirou o direito de trabalharem.mas nao de muitos matarem roubarem.e hora de rever aonde tudo muda na vida. continuar lendo

Nobres Colegas, concordo com o Sergio Guejik, no meu tempo de juventude, se identificava o criminoso pela tatuagem, ele não está sendo preconceituoso, foi uma realidade e pelo teor do texto, vejo que esta realidade esta voltando, inclusive esta dos pontinhos na mão e no rosto, tem o mesmo significado pretérito. Eu não curto, mas digo àqueles que curtem a tatuagem, antes de fixá-la no corpo, procure saber o significado dela para não passar por situações constrangedoras. Hoje em dia pela internet, existe uma maior facilidade de verificar os significados de cada tatuagem. Se você chegar no Pará com uma tatuagem de matador de policial, estará em maus lençóis. No meu tempo era uma caveira com uma faca cravada no crânio de cima para baixo na vertical, hoje é a figura do coringa e/ou de um palhaço. A tatuagem hoje pode ser uma arte, contudo, cuidado com que você pinta no corpo, você poderá sofrer uma arte indesejada, se não souber o significado do que colocou no corpo. Não olvide, tatuagem é uma forma de linguagem, cuidado com que vai expressar no seu corpo, revertê-la dá muito trabalho e deixa danos na pele. Encerro com um velho adágio popular que diz " Rio que tem piranha, jacaré nada de costas ". continuar lendo