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25 de Janeiro de 2022

Se você tem ou quer ter tatuagem, não deixe de ler esse artigo! (Parte 5)

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 5 anos

Se voc tem ou quer ter tatuagem no deixe de ler esse artigo Parte 5

Por Diorgeres de Assis Victorio

Conforme prometido, darei continuidade à “problemática das tatuagens”. Se você não leu as partes anteriores da série, basta clicar nos links a seguir: Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4.

PJL

Importante mencionar que essas letras a princípio mencionavam ligação com o CV (Comando Vermelho), também conhecido como CVRL (Comando Vermelho Rogério Lemgruber[1]) tendo em vista a expressa menção em documentos das palavras Paz, Justiça e Liberdade (PJL) e diversas pichações em territórios dominados por essa organização criminosa.

Outro fato muito interessante é que a Folha de São Paulo e alguns ditos especialistas costumam dizer que o PJL é encontrado no Estatuto do PCC. Vejamos o que diz o Primeiro Estatuto do PCC:

Art. 16 – (...) Conhecemos nossa força e a força de nossos inimigos Poderosos, mas estamos preparados, unidos e um povo unido jamais será vencido. LIBERDADE! JUSTIÇA! E PAZ! (Diário Oficial do Estado, Poder Legislativo, São Paulo, 107 (93), terça-feira, 20 de maio de 1997-5 (g. N.)

Importante mencionar que eu já tinha feito essa observação anteriormente em outro artigo:

“Alguns 'especialistas' dizem que o PCC tem o mesmo lema do CV. Ledo engano, na verdade possui o inverso do lema do CV. (PCC = L, J e P (LIBERDADE! JUSTIÇA! E PAZ) (CV = P, J e L (PAZ, JUSTIÇA e LIBERDADE). Importante também frisar que o Comando Vermelho tem esses princípios e também cinco pilares (L. R. L. J. U.) segundo nos informa o Estatuto em vigor no ano de 2013”.

Há muita diferença entre LJP do Primeiro Estatuto do PCC com o PJL do CV. Na verdade, a ordem das letras está ao contrário. Mister se faz mencionar que as siglas desses “lemas”, tanto do Primeiro Comando da Capital como do Comando Vermelho, sofreram mudanças, tendo em vista que essas organizações criminosas tiveram alterações em seus líderes e objetivos.

Sei que faixas com as siglas PJL ou escrito “Paz, Justiça e Liberdade” são levantadas pelos presos nas unidades prisionais durante as rebeliões no Estado de São Paulo. Contudo, não posso deixar de lembrar que o slogan do PCC, na verdade, é o que consta em seu Primeiro Estatuto: Liberdade, Justiça e Paz (LJP).

Acredito que na época dessas rebeliões eles provavelmente levantavam essas “bandeiras” com o objetivo de demonstrar também vínculo com o Comando Vermelho, até mesmo porque, conforme demonstrei neste artigo, consta no Primeiro Estatuto do PCC que no período as duas facções estavam em coligação.

Talvez tenha sido um erro de quem elaborou o estatuto do PCC, ao invés de colocar Paz, Justiça e Liberdade (PJL), ter colocado Liberdade Justiça e Paz (LJP). Se isso ocorreu, somente quem elaborou o documento, ou mesmo os fundadores do Partido do Crime daquela época, poderão nos confirmar. O resto é só suposição. E, para nós, operadores do direito, é terminantemente proibido trabalhar desse modo.

Mas, voltando ao tema das tatuagens, vejamos o que o Tribunal de Justiça de São Paulo tem a nos dizer sobre a tatuagem com a sigla PJL:

Diante disso, a vítima foi chamada à Delegacia de Polícia e reconheceu pessoalmente o apelante como sendo um dos autores do crime, sobretudo pela sua voz e pela tatuagem bem específica que ostenta em sua mão, com as inscrições 'PJL', que significa 'paz, justiça e liberdade', sendo que tais inscrições geralmente são de facções criminosas.” (Apelação nº 0000174-11.2012.8.26.0318, da Comarca de Leme) (g. N.)

SÃO JORGE

É conhecido na umbanda/candomblé como Ogum/Ogun (saudação “Ogunhê”), em virtude do sincretismo religioso.

O orixá (umbanda/candomblé) da guerra, da coragem, o protetor dos templos, das casas, dos caminhos, Jorge nasceu na Capadócia em 275 (doutrina católica). É muito adorado no cárcere. Muitos ali o procuram visando proteção e por ser um “abridor de caminhos”.

Vi diversas das tatuagens de nos presos. Vi paredes com desenhos representando São Jorge, e encontrei, quando realizava revistas em celas, várias das orações dele coladas em paredes das celas e em pertences de presos.

A foto abaixo já demonstra a importância de São Jorge no cárcere. E vejam que interessante: o “abridor de caminhos” (segundo o Candomblé e Umbanda) está pintado na porta da cela. A mesma porta que um dia será (ou foi) aberta para os colocá-los em liberdade, “abrindo assim o caminho”, conforme pregado pelas religiões afro.

Eis aí a representatividade de São Jorge no cárcere.

NOTAS

[1] A sigla RL é uma homenagem a “Rogério Lemgruber” (vulgo Bagulhão), um dos fundadores da Falange Vermelha, que posteriormente gerou o Comando Vermelho. Comprometo-me a contar a história das falanges e do Comando Vermelho em outras oportunidades, dando continuidade aos estudos das facções criminosas brasileiras.

Fonte: Canal Ciências Criminais

3 Comentários

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Não sabia dessa de Ogum. Bom saber. Contudo, eu sou umbandista e nós, umbandistas, ficamos magoados e extremamente decepcionados ao saber que nossa religião e cultura, é usada para esses fins. Ps: avisando, não fiz criticas a você nem a página e sim aos bandidos. continuar lendo

Mais um bom artigo da série.

Talvez importante mencionar que as terminologias usadas pelas facções criminosas, desde a década de 1970, como o Primeiro Comando da Capital, - PCC, o Comando Vermelho - CV, e vários outros, mais as palavras de ordem dos estatutos e tatuagens, como Paz, Justiça e Liberdade, Liberdade com Sangue e outras, foram TODAS inspiradas nos grupos de extrema esquerda política, terroristas e adeptos da luta armada e das "expropriações" e "justiçamentos", que diziam lutar contra a ditadura militar e a favor do povo. A convivência em prisões, desses militantes políticos e de presos comuns, favoreceu o que os guerrilheiros chamavam de "politização das massas oprimidas". A terminologia foi ensinada e bem copiada, mas não foi só. As ações paramilitares, a organização, hierarquia, a logística dos grupos criminosos, foi decalcada dos terroristas então presos no sistema penitenciário.

Ou seja: a bandidagem ganhou de graça, instrução tática e doutrina de luta na época e depois da "redemocratização" ganharam as benesses do garantismo penal, dos direitos humanos, da legislação frouxa, dos governos populistas e demagógicos. Tudo como o diabo bem gosta... continuar lendo

Legal, só que você esqueceu de falar que as facções têm como único objetivo acumular dinheiro, e que este é um preceito básico do capitalismo. continuar lendo