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18 de Novembro de 2018

Vai vender/comprar um automóvel pela internet? Cuidado!

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 2 meses


Por Fernanda Tasinaffo

Segundo pesquisa realizada pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a venda de veículos subiu cerca de 14,47% somente no primeiro semestre de 2018, sendo emplacados cerca de 1,1 milhão de automóveis.

Logo, a quantidade de veículos que são trocados, seja para modelos mais novos ou para modelos inferiores, consequentemente também está crescente.

Com isso, é muito comum se deslocar para as famosas feiras de automóveis que são montadas em diversos pontos da cidade que conta com inúmeros veículos a disposição para venda ou troca.

Mas, atualmente, e com as facilidades que a tecnologia proporciona, as pessoas estão optando por realizar todos os procedimentos pela internet, deixando para “sair de casa” apenas para receber ou vender o veículo escolhido.

Diante disto, os criminosos virtuais estão aplicando golpes cada vez mais sofisticados. Eles fazem com que você não perceba que está sendo vítima de um crime. Além disso, que perca suas economias de anos de trabalho ou até mesmo o seu automóvel.

Cuidados na venda e compra de automóvel pela internet

Portanto, este artigo irá demonstrar os requisitos básicos para que se realize a compra ou a venda de um automóvel de forma segura via internet. Evita-se, assim, que pessoas mal-intencionadas impeçam você de realizar um bom negócio.

Com relação à venda, primeiramente, inicia-se as orientações com o ponto principal que é a entrega do veículo. A entrega do mesmo só poderá ser feita após o dinheiro estar presente em sua conta bancária.

Isso porque os golpistas sempre costumam utilizar as mesmas desculpas. Desde informando que fez uma transferência via DOC (um dia útil para compensar), até apresentando cheque sem fundos, etc.

É muito comum eles trabalharem com o psicológico da vítima, utilizando fatos que demonstrem a urgência em pegar o veículo, antes mesmo da quantia estar presente em conta. Para eles é muito fácil falsificar um comprovante de pagamento.

Também, peça para ver a identidade do interessado, e elabore um contrato de transferência do veículo. Na sequência, transfira o automóvel em cartório em até trinta dias. Vai evitar prejuízo tal como eventual multa que o novo dono venha a tomar, caso o veículo ainda não esteja transferido.

Cuidado com as concessionárias online

Ainda, cuidado com algumas concessionárias online. Em síntese, são sites falsos criados pelos criminosos virtuais, visando somente lucrar com o famoso “adiantamento”. Ocorre da seguinte forma:

Em primeiro lugar, eles solicitam um valor adiantado para supostamente anunciar o seu veículo para a venda. Em segundo lugar, prometem vender em poucos dias, o que de certa forma vai te atrair. Mas, ao final, é tudo falso. Portanto, caso queira vender através de uma concessionaria, pesquise a veracidade da mesma.

Por outro lado, com relação à compra, o ponto principal é consultar se quem vende o veículo é de fato o seu real dono. Essa informação pode ser rapidamente consultada no site do DETRAN, que ainda permite verificar, através do RENAVAM, se o automóvel possui débitos pendentes como multa ou IPVA.

Isso porque, você pode estar comprando um veículo furtado ou roubado sem saber, podendo ser envolvido em eventual processo criminal pelo crime de receptação. Então, para evitar esta dor de cabeça, confirme o titular do veículo.

Também, veja o veículo pessoalmente e se é compatível com as fotos vistas online. Os criminosos virtuais costumam anunciar automóveis de locais distantes. O objetivo é evitar ao máximo a visita do comprador, buscando satisfazê-lo apenas como fotos e laudos de vistoria falsos. Na maioria das vezes, sequer existe um veículo à venda!

Indispensável também a elaboração de um contrato de transferência e sua realização. O procedimento deve ocorrer dentro do período de trinta dias. Juntamente com isso, você deve levar o veículo para vistoria.

Prática de phishing

Sempre reforço sobre a prática do Phishing, portanto, nunca insira seus dados pessoais e bancários em propostas recebidas via e-mail. O golpista virtual vai te enviar um e-mail que te induza a aceitar o que está inserido.

Além disso, poderá encaminhar você para uma página na web que contenha um software malicioso a fim de infectar a sua máquina com algum vírus. Ao final, guarde todos os documentos que envolvem a negociação. Com isso, você evita eventuais riscos e resguarda os seus direitos.

Esses são os principais pontos de verificação para garantir um bom negócio virtual. Não se esquecendo, ainda, que a legislação penal possui todos os meios necessários para coibir eventual problema ocasionado oriundo de fraude.

Fonte: Canal Ciências Criminais

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Este é um dos tantos textos já inseridos no Jus, que precisa não só ser lido, como também "muito bem guardado" em nossas "cucas". Tanto serve pra quem é da área jurídica, como também pra que não o é. Tenho plena certeza, que neste exato momento, "alguém" está caindo num desses "golpes" citados no texto. Já comprei e também vendi muitos carros meus, e por ter uma larga experiência no assunto, como policial, logicamente tenho obrigação de saber sobre os tipos de crimes. Quando surgiu o então famoso Gol da Volks, resolvi comprar um zero. Ao folhear o jornal Folha de SP, deparei com um anúncio "atentador", pois o preço do Gol ali anunciado era bem inferior ao da concessionária em Jundiaí,sp. Liguei e solicitei informações, onde o interlocutor, com muita habilidade descreveu todo o carro, bem como a concessionária em São José dos Campos,sp, onde eu deveria retirar meu carro, devendo antes, depositar uma determinada quantia para garantir a reserva do mesmo, e o restante do valor eu pagaria pessoalmente na concessionária. Percebendo logo de cara que era um golpista, pois NUNCA acreditei em "Papai Noel e nem em Branca de Neve e os 7 Anões", solicitei que ele enviasse o carro até a concessionária de Jundiaí, e que não faria o exigido. Desligou e não mais consegui falar com o "golpista". Dias depois saiu na mídia, que uma quadrilha em Minas Gerais tinha sido desbaratada, que praticava esse tipo de golpe. Costumo sempre citar o mesmo jargão: "Se não houvessem"trouxas"não haveriam os"espertalhões". continuar lendo