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24 de Janeiro de 2019

Cena de crime

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 13 dias

Por Verônyca Veras

Para o Criminal Profiling, o estudo da cena de um crime é essencial para a elaboração de um perfil criminal. É o primeiro acontecimento a ser analisado. Mas esse estudo não abrange somente o local em si.

Ele envolve também um estudo detalhado sobre a vítima e uma análise das circunstâncias do crime que ocorreram fora da cena do crime. São as análises comportamentais a partir do estudo do local do crime que possibilitam a identificação da autoria.

Tendo em vista que a investigação criminal tem como objetivo montar o cenário do crime para compreender o que ocorreu e como ocorreu, isso é feito a partir de uma reconstrução evidenciada. Todas as informações adquiridas são analisadas e compreendidas de acordo com as evidências físicas e comportamentais para que seja possível reconstruir o crime. Normalmente só são noticiadas as reconstruções elaboradas com o ofensor para compreender a dinâmica do crime e estruturar a acusação, mas pode ser feita também com a intenção de compreender quem cometeu o crime.

Além disso, no início de uma investigação policial, a principal fonte de informações é o local do crime ou o local de desova, pois costuma ser o primeiro encontro dos policiais com o crime, principalmente se não há vítima viva, por isso a sua enorme importância.

Entender a sua importância possibilita a compreensão da necessidade de criar uma lista padrão para o que é analisado e até criar um nível de importância para cada dúvida a ser respondida. Mas também é preciso compreender que dificilmente todas as dúvidas serão respondidas e que muitas vezes o profiler trabalha com poucas informações, até porque é preparado para atuar em casos com poucas evidências.

Para facilitar a compreensão, seguem algumas das características que precisam ser analisadas:

  1. Vestígios físicos do crime recolhidos ou produzidos como fotos, vídeos, relatórios e objetos.
  2. Exame de corpo de delito ou laudo de autópsia da vítima e qualquer detalhe físico que ela apresente em seu corpo.
  3. Análise do modus operandi do ofensor como a arma utilizada, meios de controle da vítima e objetos levados como troféu.
  4. Características da cena do crime como dados ambientais e interação entre ofensor e vítima.
  5. Observação de semelhanças que conectem com outros crimes em casos de possível ofensor serial.

Pode ocorrer que algumas das características não possam ser analisadas ou simplesmente não existam, como no caso de um assassinato em que a arma não foi encontrada. Mesmo assim, o profiler precisa passar por cada característica, até para saber o que ficou faltando, pois até isso pode ter um significado.

Cada detalhe é essencial e nada é observado superficialmente. Um bom exemplo para compreender a profundidade desse trabalho é pegar um detalhe e expandir as suas possibilidades. A análise do estilo de aproximação do ofensor, por exemplo, diz muito sobre ele, pois pode ocorrer por meio de surpresa, subterfúgio ou ataque.

A surpresa seria um momento de vulnerabilidade da vítima em que o ofensor aproveita para agir, já que facilita a conclusão esperada, como quando a vítima está dormindo ou distraída.

O subterfúgio é um meio em que o ofensor planeja uma forma de se aproximar da vítima, como quando um agressor pede ajuda ou oferece algo e leva a vítima a um local que ele se sente bem para agir.

E por fim o ataque que envolve a aplicação de força física imediata à aproximação da vítima para ter controle total da situação na mesma hora.

Somente com esse exemplo já é possível perceber que os detalhes são significativos, pois cada tipo de aproximação diz muito sobre a personalidade do ofensor. As escolhas que ele faz antes, durante e depois do crime já podem indicar traços comportamentais coerentes para demonstrar se são mais organizados ou desorganizados, por exemplo, ou até mistos.

Lembrando que muitos outros fatores comportamentais podem ser identificados a partir dessas análises, o foco aqui é exemplificar como a análise de local de crime funciona e a sua importância.

Conseguindo essas informações e compreendendo os seus significados de acordo com os estudos sobre perfis criminais é possível elaborar um perfil que proporcione a identificação do agressor.


REFERÊNCIAS

JESUS, Fernando de. Psicologia Aplicada à Justiça. Goiânia: AB, 2016.

SIMAS, Tânia Konvalina. Profiling Criminal. Introdução à Análise Comportamental no Contexto Investigativo. Lisboa: Rei dos Livros, 2012.

Fonte: Canal Ciências Criminais


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