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22 de Setembro de 2019

Jovem advogado(a), eu sei... no começo a autoestima pode baixar!

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 5 meses

Por Leonardo Diniz

Cada pessoa tem um perfil. Umas, mais desenvoltas, encontram mais facilidade em transitar pela advocacia. Enxergam as oportunidades, sabem prospectar clientes, muitas vezes no puro instinto.

Outras, nem tão acessíveis. São mais sérias, fechadas e não tem aquela facilidade em se colocar no mercado. Tudo depende de vários fatores, incluindo o histórico familiar.

Temos, ainda, pessoas com traço de arrogância, pessoas humildes demais. Umas expansivas, outras introspectivas. Cada uma definitivamente tem um perfil.

No começo, a autoestima pode baixar

Hoje, quero conversar com aquelas de autoestima profissional baixa. Que olham para o mercado e não acreditam que realmente terão alguma chance de sucesso.

Ora, já existem profissionais bons demais no mercado! Sabe aquela professora top que tive na universidade? Ela é criminalista há quinze anos! E tem aquele outro criminalista que ganhou aquele prêmio, sabe?

E por aí vai.

De fato, você, advogada (o), não está errada (o) em reconhecer a saturação do mercado advocatício. É preciso, sim, ser realista. Não adianta olhar o mercado e achar que tudo está fácil, que para vingar basta decorar a sala com uma boa mobília que os clientes virão.

Claro que uma sala bem localizada, leia-se, de fácil visualização pelo cliente, com uma placa destacando, já serve de marketing para seu escritório. Já uma sala num prédio comercial qualquer não atrairá clientes para você debutante na advocacia.

Mas, saiba, que um mindset correto com certeza favorecerá você diante das dificuldades. Hoje, existem cursos de empreendedorismo jurídico que ajudam a desenvolver seu mindset para a advocacia, através de estratégias de marketing, finança de seu escritório, planejamento, etc. Busque um de sua confiança! Isso já vai lhe ajudar bastante!

E tome cuidado com o conselho de alguns advogados...

Antes de ser aprovado no concurso de Defensor Público, eu advogava. E cheguei a escutar de alguns profissionais que “estavam vendendo o almoço para poder comprar a janta”. Este é o exemplo de advogado (a) que provavelmente não vai lhe ajudar em nada. Fica nítido por este discurso que ele (a) não deseja que você saiba que a advocacia pode, sim, trazer ótimos rendimentos a médio e longo prazo.

Sei que muitos já estão vacinados contra este tipo de ideia, mas, aqui, o escopo é dialogar principalmente com advogados e advogadas iniciantes na defesa criminal, com dificuldades em se estabelecer no mercado.

Certa feita, na Livraria Cultura da avenida Paulista, em São Paulo, eu estava de forma descompromissada olhando os livros de direito, quando me deparei com um, escrito por um advogado renomado de São Paulo. No livro, ele não recomendava mais aos profissionais recém-formados de São Paulo, capital, a ingressar de maneira autônoma nos ramos tradicionais da advocacia, incluindo a criminal. Ele, inclusive, listava vários outros ramos do direito, dezenas deles, onde a advocacia se revelaria mais interessante ao profissional noviço.

Claro que é apenas a opinião do autor. Estava, a meu sentir, de boa-fé e não falando isso apenas para facilitar o mercado aos criminalistas mais experientes de São Paulo.

De todo modo, também não é uma regra geral. Conheci, na minha cidade natal, Florianópolis, pessoas com uma capacidade incrível de prospectar clientes, que ganharam muito dinheiro em questão de três ou quatro anos em áreas mais tradicionais, como direito do consumidor.

Mas o que se pode extrair desta mensagem é que o mercado está, sim, saturado em várias áreas e que se o (a) advogado (a) não souber se colocar nele direito não vai conseguir ter o sucesso que deseja.

E não apenas em São Paulo, capital. Em Lages, Santa Catarina, onde eu atuava como defensor público, já havia mais de mil advogados (as) atuantes. Já escutei lá de advogados antigos que do jeito que estava não “estava mais dando”. Isso não deve servir de desestímulo, mas de alerta, para que você, debutante, se prepare da melhor maneira possível.

Não crie crenças militantes no sentido de que, se já existe tanto advogado (a), não vai ter espaço pra você. Se você se posicionar de maneira correta vai ter, sim, espaço. Acredite! Vi advogados jovens com mais clientes na área criminal que advogados mais antigos.

Mas, por outro lado, também não entre de maneira ingênua pensando que vai ser tudo fácil, pois não vai!

Se você realmente quer a advocacia e a deseja de todo o seu coração, você vai ter a paciência, persistência e garra necessárias para dar certo. Tudo leva tempo.

Eu sou defensor público, não advogado. Sou ainda inscrito na Ordem e advoguei por alguns anos, embora meu foco verdadeiro estivesse no concurso público. E por que estou falando isso?

Se você almeja mesmo vingar na advocacia precisa direcionar seu foco para ela. Não estou dizendo que não pode ter outras fontes de renda. Não só pode, como deve.

Eis que, no começo, é muito difícil ter renda própria só da advocacia, mesmo a criminal. Recomendo, de toda maneira, cobrar o cliente antes, senão todo, ao menos setenta por cento do valor do serviço. Se ele não puder pagar à vista, faça em cinco ou até dez vezes no cartão, mas não deixe de receber desde o início.

Assim você já vai se blindando contra a inadimplência, bem comum na advocacia e ainda mais comum na criminal, notadamente após uma sentença condenatória.

Mas, voltando ao tema, você precisa estar com o foco direcionado à advocacia se deseja tirar o seu sustento dela. Não adianta advogar pensando em ser, por exemplo, promotor de justiça ou juiz. Claro que é apenas minha opinião. Tudo, aliás, traduz apenas minha opinião, muitas delas, obviamente, reproduzindo opinião de pessoas mais experientes.

Fique, por isso, de ouvidos bem abertos, sempre procurando aprender com tudo ao seu redor. Isso diminuirá eventual arrogância que você pode ter no seu ponto cego emocional.

Os advogados que conheço que mais clientes possuem são aqueles que estão com os dois pés na advocacia. Não estou dizendo que não possuem outra fonte de renda, mas, no direito, decidiram em definitivo por advogar e não por qualquer outra coisa.

Ou seja, se quer dar certo na advocacia, precisa estar decidido (a), de coração, que esta é a sua área e que nada e nem ninguém vai tirar isso de você! Mesmo sendo introvertido (a), ou expansivo (a) demais, você deve aceitar a sua personalidade como ela é, e seguir em frente. Os (as) introvertidos (as) terão, sim, provavelmente, mais dificuldades que o normal, podendo ser prejulgados (as), tachados (as) de arrogantes, dentre outras coisas.

Se for o seu caso, aprenda a se tornar filtro e não esponja. Eu já fui esponja, absorvendo tudo de negativo ao meu redor, e sei o quanto pode fazer mal. E, afianço que já vi advogado mais retraído no fórum ser um dos melhores da cidade no júri.

E nunca se esqueça, também, de relaxar quando preciso. A felicidade está na jornada e não no destino, frase um tanto conhecido, mas também um tanto verdadeira. Depois de um tempo, as coisas começarão a fluir.

Bom, meus caros e minhas caras advogadas iniciantes, creio que, por hoje, é só. Na próxima semana, estou de volta! Forte abraço!

Fonte: Canal Ciências Criminais


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3 Comentários

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Perfeito! continuar lendo

Obrigada pelo artigo. Ótimas dicas. continuar lendo

- Deixe de ser esponja: seja filtro! Rsrsrsrsrs
Ri demais!
Ótimo texto!!! continuar lendo