jusbrasil.com.br
22 de Setembro de 2019

Há algo de podre no Brasil

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 2 meses

Por Raul Linhares

A peça Hamlet, de Shakespeare, tem muito a ensinar ao Brasil. Não pela beleza que é própria a todas as peças do dramaturgo, mas pela trama de traições e de corrupções que conduzem o exercício da política.

Na peça, o rei da Dinamarca é morto, envenenado por seu próprio irmão, que toma para si o trono e a esposa do antigo rei. Hamlet, filho do rei assassinado e sobrinho do rei assassino, descobre a traição de seu tio e se encarrega da vingança que encerra a tragédia: a rainha acaba morta; o rei acaba morto; Hamlet acaba morto.

Há algo de podre no Brasil

O Brasil da realidade se põe em pé de igualdade com a Dinamarca de Hamlet: a política é dominada pela tragédia, coberta por traições e por interesses privados que se sobrepõem aos interesses públicos. As encenações do teatro elisabetano, no qual Shakespeare se insere, dá lugar às encenações fora de qualquer palco oficial: os maiores responsáveis pelo jogo político brasileiro desempenham papéis ao invés de funções públicas, com “máscaras”, discursos planejados e malícias.

Na disputa pelo trono da Dinamarca, o pai de Hamlet é traído e morto por seu tio. No Brasil trágico, tornou-se cena corriqueira a traição, a corrupção e a “morte figurada” de agentes políticos em uma tentativa de perpetuação de privilégios. Se o teatro shakespeariano buscava entreter o seu público, o “teatro” político brasileiro busca a manutenção do poder às custas do público, miserável e pouco entretido.

Hamlet diz:

Isto é um jardim abandonado, cheio de ervas daninhas, invadido só pelo veneno e o espinho – um quintal de aberrações da natureza.

Ao afirmar isso sobre a sua Dinamarca, Hamlet nos fornece um preciso diagnóstico sobre o cenário político brasileiro.

Diante de traições e assassinatos, um personagem da peça afirma que

há algo de podre no reino da Dinamarca.

No Brasil da corrupção e dos acordos de delação também há. Mas, diferentemente da Dinamarca de Hamlet, esperamos que o Brasil não tenha um final assim tão trágico e que a encenação teatral deixe o ambiente público e retorne ao seu local de origem: os palcos.

Fonte: Canal Ciências Criminais


Quer estar por dentro de todos os conteúdos do Canal Ciências Criminais?

Siga-nos no Facebook e no Instagram.

Disponibilizamos conteúdos diários para atualizar estudantes, juristas e atores judiciários.

2 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Bela comparação. Não podemos esperar nada além disso dos nossos representantes, afinal de contas são excelentes em ludibriar o povo com as suas encenações. Diante dos olhos da multidão expressam uma preocupação com o bem maior da nação, mas por trás sabemos muito bem que trocam favores e negociatas para manterem-se no poder. continuar lendo

Delação só tem validade mediante comprovação, de outra forma, o delator pode ter sua pena aumentada em até 8 anos - não me parece cabível a comparação.
Não fosse esse Instituto, o Estado não conseguiria jamais chegar no topo das Organizações. continuar lendo