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30 de Março de 2020

Mc Gui, o bullying e a lei: a Psicologia Forense explica?

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 5 meses

Por Felipe de Martino Pousada Gomez

Para a Psicologia Forense, o bullying é uma forma de violência psicológica do qual, de acordo com FANTE (2008), estão ligados a “comportamentos agressivos e antissociais” do autor que pratica. Obviamente, produz sofrimento psicológico na vitima que experimenta ser alvo desse tipo de humilhação.

Atos aparentemente inofensivos de humilhação são protótipos de comportamentos antissociais. A Psicologia Forense contribui no sentido de procurar entender, pesquisar e intervir no sentido da integração da psicologia e da lei. Trata-se da interface de duas áreas de conhecimento: a Psicologia, que estuda o comportamento humano e o funcionamento mental, e o Direito:

O objeto de estudo da Psicologia Forense são os comportamentos complexos que ocorrem na interface com o campo jurídico (WALKER & SHAPIRO, 2003).

Assim, a Psicologia Forense, como qualquer ciência, utiliza da aplicação de pesquisa, método, teoria e prática psicológica a uma atividade que tenha interface com o sistema legal.

As práticas de bullying, como aponta Calhau (2010),

acarretam uma série de sanções para os seus autores, ou responsáveis legais, podendo gerar sanções administrativas, trabalhistas, civis ou criminais, dependendo do grau e extensão dos danos causados às vítimas.

A violação de direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e se a ofensa tiver mais de um autor,

todos responderão solidariamente pela reparação, solidariamente responsáveis com os autores e os co-autores e as pessoas designadas no art. 932 do Código Civil.

No caso de Mc Gui, o que se pode verificar é que o ato praticado por ele é como uma fotografia, pois revela sua real personalidade, a sua verdadeira natureza, muito diferente das máscaras sociais apresentadas por ele e pelo seu pedido de desculpas que não convence ninguém, ao mesmo tempo em que se mostra incapaz de reconhecer seu erro, revelando assim o nível da maldade contra outro ser humano e sua incapacidade de sentir culpa.

Mc Gui fez bullying com uma menina que ele supostamente não sabia que passava por um tratamento para vencer o câncer e, por isso, não tinha cabelos e sobrancelhas. Mas não importa que ela tem o câncer ou não. Mesmo que ela não tivesse esse mal em sua vida, é inconcebível tal atitude.

No vídeo gravado por ele, pode-se observar as reações emocionais da criança indefesa, que, sem entender bem o que se passa, expressa vergonha abaixando a cabeça, arrumando a peruca, desviando o olhar triste e incomodada. Ao fundo, é possível ouvir outras pessoas zombando de sua aparência.

Mc Gui, que é um homem, portanto, um adulto, e sua vítima, uma criança indefesa com um agravante da sua condição de enfermidade. E, o que era para ser um dia feliz em sua vida, se tornou um dia do qual foi alvo de chacotas e humilhações devido a sua aparência.

Porém, o que se revela não é a face da vítima, e sim a verdadeira face do autor, que prefere rir mesmo humilhando uma criança.

O ato de diminuir propositadamente a outra pessoa para obter um benefício particular é o que Freud chamaria de narcisismo das pequenas diferenças, no qual o que está em jogo é o prazer de se sentir mais inteligente, interessante, competente e superior ao outro. Tal característica pode revelar ainda uma forma de satisfação sádica da personalidade do autor, que tem prazer em infringir dor e sofrimento a terceiros.

A pertinência do tema está no fato de que, desde os textos de Freud, em o “Futuro de uma Ilusão”, de 1927, já se detectava essa dinâmica nas dimensões da vida em sociedade.

O reconhecimento de tais papeis nas relações humanas é imprescindível para a manutenção de vínculos saudáveis, pois o trabalho, a família, a escola e o ambiente virtual não podem ser ambientes que prejudicam a saúde mental de um indivíduo.

Os profissionais de saúde mental devem estar capacitados a ajudar quem eventualmente passe por esse sofrimento, assim como os profissionais que trabalham operando o direito fazer com que a lei seja cumprida no seu rigor de forma eficiente.

O bullying e o assédio moral também são temas de trabalho, cabendo ao perito psicologo determinar ao judiciário sua extensão e aferir o dano.

Por isso, é imprescindível ao profissional de direito, em casos como esse, que oriente seu cliente a procurar uma avaliação psicológica de profissional capacitado com esse tipo de avaliação, para assim poder dimensionar a extensão do dano e fazer exercer os direitos de seu cliente.

Porém, muitas vezes em casos nos quais os danos são muito graves ou até mesmo irreversíveis, podendo levar a transtornos mentais graves como depressão ou suicídio, nada é suficiente para reparar tal condição.


REFERÊNCIAS

CALHAU, L. B. Bullying: o que você precisa saber: identificação, prevenção e repressão. (2). Niterói, RJ, 2010.

FANTE, C. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. Campinas: Versus, 2005.

WALKER, L. E. A. & SHAPIRO, D. Introduction to Forensic Psychology: Clinical and Social Psychological Perspectives. Kluwer Academic Plenum Publishiers, NY, 2003.

Fonte: Canal Ciências Criminais


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60 Comentários

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Nobres colegas, este MC Gui nunca me enganou, estou indignado com o ato por ele praticado, principalmente por ter atacado moralmente uma criança, mas não estou surpreso com esta atitude reprovável dele, afinal de contas, as próprias letras de suas melodias já definem a personalidade dele da qual não instigam nenhum orgulho, sem mencionar a sua conduta social que em muitos casos, atentam contra a moral para não dizer os bons costumes. Não se pode esperar deste cidadão outro comportamento, a não ser, este e outros reprováveis. Espero que ele seja processado pela justiça americana, onde as indenizações machucam o bolso e até a alma do agressor.

Dito isto. Pois, bem. Aos desavisados e desinformados, vai um lembrete. Bullying é uma palavra de origem inglesa sem tradução para nós no Brasil, por isso, utiliza-se no Brasil esta nomenclatura, não porque é bonito pronunciá-la, mas porque não tem tradução, contudo, é usada para definir uma situação na qual uma pessoa deliberadamente atormenta para não dizer perturbada, hostiliza ou molesta outras de forma repetitiva, definindo-se como amedrontar, intimidar, constranger. No Brasil, o Bulliyng é classificado como crime contra à honra enquadrando-se em vários artigos distintos do Código Penal tais como: Difamação, Injúria, Constrangimento ilegal e Ameaça etc...

Por isso, antes de criticar os colegas, procurem se informar sobre a matéria e as suas definições e parem de defender este cidadão desequilibrado mentalmente e moralmente, pois este rapaz não é um bom exemplo para ninguém. continuar lendo

Bem, a atitude dele realmente, foi infeliz e desprezivel. Isso é fato. Se justificar é plausível e pedir desculpas era iminente. Só se esqueceu o autor da matéria, que na vida, passamos por diversas situações, com erros e acertos, que nos fazem aprender e amadurecer e as vezes de maneira amarga. Marcam nossa vida para sempre. Já dar e traçar um perfil, do MC, apenas por esse fato, é tão desprezível como a atitude dele. Também é um bullying.
Então, particularmente, não sei qual dos dois é pior ! continuar lendo

O ato dele foi reprovável, sem a menor sombra de dúvida. Foi um babaca, é um idiota, mas babaquice e idiotice não são crimes. São atitudes que merecem reprimendas sociais, como ele tem recebido nas redes sociais e até shows cancelados, mas não foi crime. continuar lendo

Se voce diz que não foi crime então discorda do autor do texto: "Acarretam uma série de sanções para os seus autores, ou responsáveis legais, podendo gerar sanções administrativas, trabalhistas, civis ou criminais, dependendo do grau e extensão dos danos causados às vítimas." "Todos responderão solidariamente pela reparação, solidariamente responsáveis com os autores e os co-autores e as pessoas designadas no art. 932 do Código Civil." O que voce diz é um opiniao ou tem lastro , como fez o autor do texto? continuar lendo

Tem lastro sim, Marcelo Paiva. Cadê a prova de que ele causou algum dano irreparável à pessoa de quem ele riu na gravação? Não vi em lugar algum, qq manifestação da suposta vítima, ou família, em sendo menor, ou processo contra ele idealizado comprovando os prejuízos pecuniários ou morais, com laudos, para que o autor afirme que o bestinha cometeu um crime. As pessoas confundem zoação com o tal 'bullying', invenção que ng consegue definir ou mensurar devidamente. Para ser crime, como ele menciona crime de 'bullying', tem q haver provas materiais dos danos causados e o vídeo não produz isso. É mera questão de interpretação da lógica. continuar lendo

Seu pensamento parece ser o mesmo de Kelsem. De acordo com esse "diretio puro", materialista, Eichmann (livro: Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal) teria sido inocentado , afinal não fez mais do que cumprir ordens, todas descritas em documentos. No julgamento de Eichmann o que realmente pesou em sua condenação foi o senso de moralidade, mesmo que os documentos fossem insuficientes para condena-lo a morte. Kelsem elimina conhecimentos essencias para uma melhor comprennção do homem. continuar lendo

Confesso q sou meio legalista sim. Do contrário, fica-se sujeito à interpretações subjetivas q sequer são unânimes. Prefiro a garantia do escrito, onde a subjetividade não decide. Sem o legalismo, não há segurança jurídica, já que perpassa pela interpretação de quem acusa e de quem julga. Eu gosto da segurança, entendo-a como necessária para, inclusive, a sociedade saber como agir. continuar lendo

Acredito que não temos segurança juridica condizente com a força que o positivismo diz possuir. Na ceara tributária, por exemplo, isso é notório e alarmante. Acredito, tambem, que isso acontece e sempre vai acontecer enquanto um homem estiver julgando outro homem. O homem que julga é tão subjetivo quanto o homem que é julgado, mesmo que a habilidade os diferencie. Mas concordo que se dixarmos tudo em aberto se tornaria anarquia. Um homem não cabe em uma técnica, mas tambem não pode ignora-la. Mas existe uma moral universal para fundamentar o que um homem diz a outro. continuar lendo

Claro q tem subjetividade, Marcelo, mas, seguir o texto da lei, fazendo exegese necessária, faz com que essa subjetividade seja amenizada e dá certa segurança: se a lei diz q apenas a comprovação do dano causado por algo, gera dano moral, sem essa comprovação, não houve. E quanto a censurar o q as pessoas dizem, eu já tenho uma opinião bem contrária à maioria. Sou em favor da liberdade absoluta de expressão, e, se causar danos mensuráveis, morais ou patrimoniais, um processo civil resolve. De fato, existe a moral universal q REPROVA o ato dele, mas não tem o condão de condenar. Essa reprovação deve ser feita boicotando as músicas e shows dele, assim ele aprende. Eu mesma uso muito do instrumento do boicote, pois sou contra censurar as opiniões, mas, quando as considero ofensivas à algo q acredito, eu boicoto o interlocutor. continuar lendo

Marcelo Paiva, o fato de Isa Bel afirmar que não há crime na forma como voce entende ou o texto descreve não significa que ela concorda ou discorda da atitude. O direito é uma ramificação e como tal é divido. Não há crime tipificado no Código Civil, logo Isa Bel está correta sim. As sanções descritas no Código Civil se tratam de sanções civis e não criminais. Não confunda. continuar lendo

Isa Bel, permita-me discordar da sua forma de ver o fato.
Primeiramente todos têm uma visão das leis do direito, alguns tende mais para o positivismo puro, outros para o legalismo, outros ainda para uma visão mais subjetiva do direito e da aplicação das leis. Independentemente da forma de interpretar os fatos ocorridos, e consequentemente as possíveis interpretações da lei se é ou se não é crime, você ignorou um ponto crucial. Você não tem informações suficientes para vociferar essa sentença.

Você disse; "Cadê a prova de que ele causou algum dano irreparável à pessoa de quem ele riu na gravação?"

Primeiramente pode não haver prova ainda, de que ele tenha causado algum dano "irreparável", mas a sua falta de ciência momentânea de uma prova não significa que ela não exista!
Nós não sabemos em quais circunstâncias a referida criança foi a Disney.
Nós não sabemos sequer se a criança está em remissão do câncer ou se ainda está brigando pela sua vida contra essa doença, você sabe? Eu não sei.
E como você gosta da escrita fria da lei, deveria saber que uma simples suposição sua, de que não há provas, não leva a nenhuma conclusão definitiva.

Você já ouviu falar no Make-A-Wish (Faça um Desejo)? Esse é um programa feito por organizações não governamentais que realizam um desejo de crianças desenganadas pela medicina. A criança precisa cumprir alguns pré-requisitos para ter o seu desejo realizado. E se essa menina estava realizando o seu último desejo de ir para Disney? Você sabe? Eu não.
Caso fosse esse é o último desejo de uma criança doente, talvez desenganada, haveria sim um dano irreparável, irremediável, pois talvez esta mesma criança não terá NA VIDA uma nova "oportunidade de realizar esse sonho".
Você sabe de qual país ela é? Imaginamos que ela não seja dos Estados Unidos e que tenha recebido essa viagem para passar um dia incrível, mas esse dia foi destruído pelo egocentrismo doentio de um jovem arrogante. Os pais, ou talvez alguma organização Make-A-Wish, gastou milhares e milhares de dólares para proporcionar um dia incrível a uma criança que provavelmente já sofreu mais que muitos de nós. Será que seria difícil nessa linha de pensamento comprovar o dano financeiro causado? Eu penso que não.
Sairíamos absolutamente do subjetivismo para uma realidade cruel e facilmente comprovável.

Você ainda disse; "Não vi em lugar algum, qq manifestação da suposta vítima, ou família, em sendo menor, ou processo contra ele idealizado comprovando os prejuízos pecuniários ou morais, com laudos, para que o autor afirme que o bestinha cometeu um crime."
Parafraseando o filósofo francês René Descartes, "eu não vi logo não existe". Então quer dizer que tudo aquilo que você não viu publicado, ou que não foi publicado, simplesmente não existe? Isso sim é bem subjetivo.

Como resta claro a sua análise precipitada é extremamente superficial e leviana, desculpe a sinceridade, mas é no mínimo infantil descrever a situação da forma que você descreveu, sem ao menos estar ciente de todos os fatos. Sua sentença de absolvição é bom subjetiva e superficial continuar lendo

Aí está o ponto. Vc concorda comigo, mesmo sem achar. Eu não tenho fatos suficientes para absolvê-lo e nem o autor para imputar crime a ele. Ponto final. É só a boa e velha especulação de facebook, com experts de facebook. O q ele fez foi reprovável, sim. Causou dano irreparável à menina? Não sei. Pode não ter causado. Se não causou, não há dano, não há reparação. Acabou a história. continuar lendo

De forma nenhuma concordo com a sua afirmação de que é inocente, tampouco afirmo que Ele é culpado.
Você está afirmando, ou afirmou na sua primeira manifestação que crime não era. Como eu disse não tenho dados suficientes para corroborar ou para discordar da sua posição.
Quando você parte do princípio de que ele é inocente, você já está errada.
Pelo simples fato de não sabermos a extensão do dano que causou ou se não causou dano algum.
Podemos sim estar diante de uma conduta totalmente reprovável, sem que esta conduta possa ser tipificada cível ou criminalmente.
Como também a conduta pode ter gerado danos irreparáveis a vítima, então nós teríamos um processo (com direito a ampla defesa e produção de provas), para que chegássemos a uma possível sentencia reparatória.

Como eu disse, e faço questão de repetir, sua 'sentença de Inocência' é absolutamente rasa e sem fundamento lógico algum. continuar lendo

Materia muito boa que merece ser compartilhada para que mais pessoas entendam um pouco sobre a gravidade criminal desse ato; sendo facilmente denotar, na esfera social moral , a total mostruosidade desse sujeito. Com as musicas que ele canta, deve viver como Freud explicou "Quando não está pensando em sexo é porque está fazendo". Gente como esse sujeito não tem nada de humano. O que vale nessa especie são as ceracteristicas animais. continuar lendo