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30 de Março de 2020

Quatro gigantes da alma: a Ira

Por Danielle Avila

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 4 meses

Muito distante, na noite dos tempos, do negro ventre do medo, brotaram as rubras fauces da Ira. Esta rapidamente cresceu e se converteu no segundo gigante dos quatro que atenazam o homem e fazem de sua vida um perpétuo drama. (Emilio Mira Y López)

Nisi orbe sine Irae (não há mundo sem Ira). Desde que “o mundo é mundo”, a Ira perdura no tempo, sendo atestada de várias formas, como o brocardo arcaico “matar para não morrer”. Presente em todo tipo de grupo humano ou civilização, a irritabilidade habita em “qualquer célula viva”, parece desprender-se da inatividade, que sabemos ser a fonte primitiva da reação medrosa. O medo, que vem “substituindo a confiança, a crença, o saber, a liberdade, o amor, entre outros valores”. (Gauer e Gauer, 1999. Pg. 22).

Mas e a busca incessante pela perfeição? A busca pelo perfeito desenvolvimento físico, mental e afetivo? E quando essa busca sai do controle, poderá a consciência humana ser alterada ou gerar o comportamento que desenvolve a Ira?

Mais atual do que nunca, Emilio López nos mostra que a ambição é a principal responsável pela agressividade. Como ele prefere chamar: “animal agressivo”, alcunha, homem. “Em virtude do desenvolvimento do mundo cultural e das noções de valor, a agressividade se manifesta no Homem sob a forma de célere afã ou desejo de poder” ou da ambição.

Somente o homem é capaz de destruir-se, de matar, e isso tudo “a sangue frio”, sem nenhum pretexto que se ache verossímil para tal, bem como a “ânsia de domínio, de afirmação e de expansão do ser, constitui o outro fundamental ingrediente da Ira”. Dessa forma, López expõe que a Ira “é a consciência do medo ou ameaça do fracasso”, e que não se pode sentir a Ira antes do medo, já que esta é sua intenção defensiva.

Se for o medo o predisponente responsável pela Ira, eu não sei. Contudo, considero que o desespero, a busca pela perfeição, a desilusão, os fatores sociais e econômicos, podem desencadear a tal Ira. Há estudos que comprovam que a serotonina esta correlacionada ao comportamento agressivo. Já outros autores aduzem que a hereditariedade é a responsável, bem como as lesões no cérebro podem influenciar no comportamento humano.

Não há uma regra que denote o medo ou fatores predisponentes biológicos ou sociais que definam o comportamento agressivo. Porém, ressalta-se que, em tempos atuais, conforme López bem expõe:

Não se sabe até que ponto os gritos com que vimos ao mundo expressam dor, raiva ou simples contração deflexa das cordas vocais durante as grandes expirações. O de que não há dúvida, entretanto, é que todo ser recém-nascido humano normal é capaz de mostrar que nele vive, pronta a despertar a garra do gigante Rubro.

Ou seja, a Ira.


REFERÊNCIAS

GAUER, Gabriel J. Chittó. GAUER, Ruth M. Chittó. A fenomenologia da violência. Curitiba: Juruá editora, 1999.

LÓPEZ, Emilio Mira Y. Quatro gigantes da alma. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1963.

Fonte: Canal Ciências Criminais


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1 Comentário

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Excelente texto, amados!

Parabéns!

Creio que não importa que fatores externos aludam à ira, pois em meu entender, quaisquer que sejam eles, sempre serão o dispositivo, o gatilho para o início de sua eclosão. Neste sentido, alguém que é desprovido de alguma argumento; mas claro que existem fatores genéticos envolvidos, isto é indiscutível, chega a beirar a loucura, por não se fazerem entender.

Vejamos só! Saber ouvir não é apenas atributo de Sábios, mas previne ira!

Acontece que uma boa dose de conhecimento da causa nos faz agir de modo preventivo e com um pitada de sabedoria, podemos sair ileso de alguma fúria...

Rogério Silva continuar lendo