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7 de Junho de 2020

A paciência é a chave no Tribunal do Júri

Por Marcos Paulo Silva dos Santos

Canal Ciências Criminais, Estudante de Direito
há 5 meses

Dizia santo Agostinho que “a paciência é companheira da sabedoria”, expondo que ela seria uma das qualidades mais admiradas do homem. Contudo, ainda que seja admirada, poucos homens possuem a arte de trabalhar esse instinto.

Em contraste, escutei de uma advogada que “a paciência é a chave”. Verdade! A paciência é a chave, principalmente se os jogadores do Tribunal do Júri souberem usar a paciência para melhor jogar na arena dos argumentos.

Mas jogar é jogar, então você precisa saber quando e como jogar.

Aqui eu trago um case para melhor explicar o motivo pelo qual exponho que a paciência é a chave, parafraseando com o alvará de soltura, liberdade da “tranca”. Quem não almeja a sonhada liberdade do seu cliente?

Pois bem! Saber jogar é importante. Certa vez eu possuía um cliente, mas no processo possuíamos 3 réus e, consequentemente, nesse caso, 3 advogados. Mais que isso, possuíamos três teses diferentes para o mesmo fato. O meu era negativa de autoria; outro colega era menor participação; o último entendia que a confissão poderia gerar um perdão.

Como resolver esse conflito de teses sem prejudicar um ao outro? Na época reuni os advogados na antessala de audiência e logo explanei o que entendia como correto, ou seja, praticar a arte da paciência, ficando em silêncio e deixando as teses para o Tribunal do Júri.

Um colega logo questionou, pois entendia que isso levaria seu cliente ao tribunal, o que se fato eu acreditava que aconteceria. Contudo, antecipar as teses também levaria, pois seria um prato cheio ao promotor nas alegações finais e em plenário.

Já o silêncio garantia um plenário cheio de surpresas, com o MP trabalhando por 1h30m sem saber a tese da defesa, e pior, sem poder dizer que não sabia pois o cliente havia aderido ao silêncio, direito constitucional esse que, se violado em plenário pelo promotor, gera nulidade do Júri.

Nesse case ainda fomos mais longe na arte da paciência, pois novamente o cliente ficou em silêncio com relação as perguntas do promotor. E aqui fica uma grande dica: ouse em ficar silêncio nas perguntas do promotor.

Se o promotor não acredita em seu cliente... por qual motivo respondê-lo? Ele não está no júri justamente em decorrência do promotor não acreditar nele?

Pois bem. Júri de 12 horas concluído com sucesso. Cliente absolvido.

A paciência é a chave.

Fonte: Canal Ciências Criminais


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1 Comentário

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A tese esposada além de absurda é folclórica.

Acredito que nenhum tribuno com experiência apostaria nisso, mesmo porque, antes da fase de plenário, o defensor será obrigado a expor sua tese por ocasião das alegações que antecedem a pronuncia.

O mesmo ocorre quando da contrariedade do libelo acusatório.

Esse, com certeza, não é o melhor caminho.

Tenho comigo que o autor da matéria possui pouquíssima experiência como tribuno.

A chave no Tribunal do Júri é estudar muito a causa. Apenas isso. continuar lendo